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NR-1 · Compliance

NR-1 e Riscos Psicossociais:
Tudo que sua Empresa Precisa Saber em 2025

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) em 2024 trouxe uma mudança que muitas empresas ainda não compreenderam completamente: a saúde mental dos trabalhadores deixou de ser uma boa prática opcional e passou a ser uma obrigação legal. Desde maio de 2025, toda empresa — privada ou pública — que empregue trabalhadores com vínculo celetista precisa incluir os riscos psicossociais no seu Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Neste artigo, explicamos de forma clara e direta o que mudou, o que a lei exige, quais são as penalidades pelo descumprimento e como estruturar uma resposta eficaz — técnica, legal e humana.

Resumo executivo: A NR-1 atualizada exige que toda empresa identifique os fatores de risco psicossocial no ambiente de trabalho, avalie sua magnitude, implemente medidas preventivas e documente tudo isso no PGR. Não há exceção por porte ou segmento.

O que é a NR-1 e o que mudou?

A NR-1 (Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) é a norma regulamentadora que estabelece as obrigações gerais de segurança e saúde do trabalho para todos os empregadores brasileiros. Ela existe desde 1978, mas passou por uma atualização significativa que ampliou o conceito de risco ocupacional para incluir expressamente os fatores psicossociais.

Antes da atualização, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) se concentrava em riscos físicos (ruído, temperatura, vibração), químicos (substâncias tóxicas), biológicos (microrganismos) e ergonômicos. A saúde mental era praticamente ignorada pela legislação trabalhista.

Com a Portaria MTE nº 1.419/2024, os riscos psicossociais entraram formalmente no PGR. Isso significa que toda empresa agora precisa:

  • Identificar os fatores de risco psicossocial presentes no ambiente e na organização do trabalho;
  • Avaliar a magnitude e a probabilidade de ocorrência de danos;
  • Implementar medidas de controle e prevenção adequadas;
  • Monitorar continuamente a eficácia dessas medidas;
  • Documentar todo esse processo de forma acessível e verificável.

O que são Riscos Psicossociais?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), riscos psicossociais são aspectos da organização, do gerenciamento e do ambiente de trabalho que, quando não gerenciados adequadamente, podem causar danos à saúde física e mental dos trabalhadores.

Os principais fatores reconhecidos pela legislação e pela literatura científica incluem:

Fator de RiscoExemplos PráticosImpacto
Demandas excessivasSobrecarga, prazos impossíveis, jornada excessivaBurnout, ansiedade, doenças cardiovasculares
Falta de controleTrabalho repetitivo sem autonomia, monitoramento excessivoDepressão, desmotivação, absenteísmo
Relações conflituosasAssédio moral, bullying, clima tóxico, liderança agressivaEstresse, adoecimento, rotatividade
Insegurança no empregoAmeaças de demissão, contratos precários, instabilidadeAnsiedade crônica, baixa produtividade
Falta de suporte socialIsolamento, ausência de apoio da liderança ou paresAdoecimento mental, presenteísmo
Desequilíbrio trabalho-vidaInvasão do tempo pessoal, dificuldade de desconexãoEsgotamento, conflitos familiares, burnout

Quem é obrigado a cumprir?

A NR-1 se aplica a todos os empregadores que tenham empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Isso inclui:

  • Empresas privadas de todos os portes (MEI com funcionários, microempresas, médias, grandes)
  • Empresas públicas e sociedades de economia mista
  • Autarquias e fundações públicas com trabalhadores celetistas
  • Todos os setores: saúde, educação, tecnologia, indústria, comércio, financeiro, construção civil
  • Empresas com trabalhadores em regime híbrido ou home office

⚠️ Atenção: O regime de trabalho (presencial, híbrido, remoto) não altera a obrigação. Trabalhadores em home office também estão expostos a riscos psicossociais e precisam ser contemplados na avaliação.

O que a empresa precisa fazer concretamente?

O cumprimento da NR-1 em relação aos riscos psicossociais envolve quatro etapas sequenciais e interdependentes:

1. Avaliação de Riscos Psicossociais

Aplicação de instrumentos validados cientificamente — questionários, entrevistas, análise documental — para identificar e medir os fatores de risco presentes na organização. O resultado deve ser um mapa de risco por setor, cargo e função, com indicação da magnitude e da probabilidade de dano.

Esta etapa deve ser conduzida por profissional habilitado — preferencialmente psicólogo com formação em saúde do trabalhador.

2. Elaboração do Plano de Ação

Com base nos riscos identificados, a empresa deve desenvolver um Plano de Ação com medidas hierarquizadas:

  • Medidas de eliminação ou redução do risco na fonte (reorganização do trabalho, revisão de processos)
  • Medidas de controle coletivo (políticas de saúde mental, programas de prevenção)
  • Medidas de controle individual (capacitação, suporte psicológico, desenvolvimento de habilidades)

3. Implementação e Acompanhamento

As medidas de controle precisam ser efetivamente implementadas — não apenas descritas no papel. A NR-1 exige que o plano de ação seja executado com prazos, responsáveis e monitoramento contínuo.

É aqui que os Programas de Habilidades de Vida se encaixam como medidas de controle baseadas em evidências: treinamentos, palestras e acompanhamentos sistemáticos que atuam diretamente nos fatores de risco identificados.

4. Documentação e Registro

Toda a trajetória — avaliação, plano de ação, implementação e resultados — deve ser documentada e integrada ao PGR. Essa documentação pode ser exigida a qualquer momento por auditores do Ministério do Trabalho e Emprego.

Quais são as penalidades pelo descumprimento?

As consequências do não cumprimento da NR-1 vão além das multas administrativas:

  • Multas administrativas: Até R$ 6.895 por infração, com acréscimo de 50% em caso de reincidência;
  • Interdição do estabelecimento nos casos de risco grave e iminente;
  • Ações trabalhistas: Indenizações por dano moral e dano existencial por adoecimento relacionado ao trabalho, sem limite legal de valor;
  • Responsabilidade civil por afastamentos e incapacitação de trabalhadores;
  • Impacto previdenciário: Empresas com histórico de doenças ocupacionais têm alíquota de GILRAT aumentada;
  • Dano reputacional com clientes, fornecedores e potenciais contratações.

Como estruturar uma resposta eficaz?

A boa notícia é que existe uma abordagem que resolve o problema de forma simultânea: cumpre a lei e transforma a cultura organizacional. O Programa de Habilidades de Vida baseado nas diretrizes da OMS é hoje a estratégia com maior evidência científica para gestão de riscos psicossociais.

Estruturado em 12 encontros mensais, o programa:

  • Parte dos dados da avaliação de riscos para personalizar as intervenções;
  • Desenvolve competências socioemocionais (soft skills) que reduzem os fatores de risco;
  • Gera relatórios periódicos que comprovarão as ações para auditores;
  • Atua em equipes, lideranças e na cultura organizacional;
  • Entrega toda a documentação técnica necessária para integração ao PGR.

Ponto de atenção: A NR-1 não especifica qual programa ou metodologia a empresa deve adotar — apenas exige que as medidas de controle sejam eficazes, baseadas em evidências e devidamente documentadas. Isso dá flexibilidade para escolher a abordagem, mas também responsabilidade sobre os resultados.

Conclusão: O momento de agir é agora

A atualização da NR-1 não é uma ameaça — é uma oportunidade. As empresas que estruturarem seus programas de saúde mental agora não apenas evitarão penalidades, mas também se posicionarão à frente da concorrência na gestão de talentos, na retenção de pessoas e na construção de uma cultura organizacional que gera resultados sustentáveis.

O custo de não agir — em multas, processos trabalhistas, afastamentos e perda de talentos — é sistematicamente mais alto do que o investimento em um programa estruturado de saúde mental.

Se você ainda não sabe por onde começar, o primeiro passo é uma conversa sem compromisso com nossa equipe. Avaliamos a situação atual da sua empresa e apresentamos uma proposta personalizada.

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